No plano geral, convencer equivale a persuadir alguém quanto a alguma coisa e/ou fato. Significa levar uma pessoa a crer ou aceitar sua opinião, sugestão, proposta, demonstração ou uma ideia. Mais que aceitar, acreditar e, por ela, se pautar. Da mesma maneira acontece com os demonstrativos contábeis.
Transportando o sentido do parágrafo anterior para o meio profissional, constato que, essencialmente, não há diferença comportamental. De um lado, há alguém interessado em comunicar as tecnicidades próprias de sua abordagem; de outro, o receptor da informação.
Por conseguinte, é necessário que aquele que tiver sob sua responsabilidade a apresentação de informações esteja comprometido com suas próprias propostas, seja profundo conhecedor das questões envolvidas e jamais se desvincule do comportamento ético.
Dando ênfase aos demonstrativos contábeis, estou plenamente convicto da sua capacidade de convencimento, uma vez que estes possuem elementos e dinamismo em suas diversas estruturas capazes de transmitir com segurança as informações desejadas por seus usuários.
Versando sobre a teoria da decisão, o Prof. Dr. Clóvis Luis Padoveze, em sua obra Controladoria estratégica e operacional (2003, p. 5), assim se expressou:
Os modelos de decisão dentro da teoria contábil podem e devem atender às necessidades gerenciais sobre todos os eventos econômicos, para qualquer nível hierárquico dentro da empresa. Assim, é possível a construção de modelos de decisão bastante específicos para decisões operacionais, e de caráter mais genérico, para decisões tidas como estratégicas.
Tal opinião consubstancia meu ponto de vista, pois, conhecendo o aspecto conceitual e estrutural dos demonstrativos contábeis, pode-se afirmar que, por meio da sua correta “leitura”, o gestor encontra base sustentável e inequívoca para tomar as decisões sob seu encargo.
No livro de minha autoria, Contabilidade imobiliária: abordagem sistêmica, gerencial e fiscal (4. ed., 2015, p. 87), asseverei: “Entendemos que a Contabilidade é o instrumento que traz a lume a verdadeira história do resultado obtido…” (grifo próprio).
A característica fundamental que, em minha opinião, surge na apresentação dos relatórios da contabilidade para o interessado é a VERACIDADE.
É de tal “intensidade” essa característica que, mesmo em exemplos ou em quaisquer simulações no ambiente acadêmico (sala de aula, palestras etc.), os dados utilizados (em natureza e valor monetário) tornam-se “reais” aos participantes.
Ao adquirir esse tom de “realismo”, os leitores já estarão plenamente “convencidos” de que se trata de uma demonstração fiel, transparente e imprescindível às necessidades no processo decisório.
O pensamento contábil tem sido objeto de constantes e profundas alterações evolutivas. Se compararmos nossos dias com cinco décadas anteriores, veremos que o dinâmico processo das informações sofreu modificações de escopo mais amplo que a simples técnica. Tornou-se fundamental para as gestões conscientes de sua responsabilidade social.
Passou a contemplar evidenciações de alcance preditivo, fornecendo à sociedade um “retrato” de como as empresas têm gerado riquezas e o que tem sido feito desses recursos. Por exemplo, a Demonstração do Valor Adicionado (DVA).
Diante dessa abordagem, estou convicto de que o grau de responsabilidade do profissional contábil é tão profundo quanto amplo. Decisões de investimentos, financiamentos e outras próprias da vida empresarial são embasadas nos relatórios elaborados pela Contabilidade.
Entendo, portanto, que ao profissional contábil cabe a honrosa (e nada fácil) missão de demonstrar e transmitir a qualquer interessado a real situação financeiro-econômica de uma organização empresarial em seus mais variados portes econômicos.
Para tanto, é necessário que se estabeleça uma relação de confiabilidade mútua, o que nada mais é do que uma PARCERIA INDISSOCIÁVEL entre a Contabilidade e seus usuários, sempre com o propósito de harmonizar os interesses, necessidades e possibilidades.
Assim considerado, posso reafirmar a insofismável importância e o poder de convencimento dos demonstrativos contábeis, sem demérito para relatórios administrativos e correlatos, no contexto das decisões de investimentos e continuidade (ou não) de projetos empresariais.
ALBERTO MANOEL SCHERRER
É professor executivo junto à Fundação Getulio Vargas (FGV), programa de pós-graduação (lato sensu) em Administração, atuando no módulo de Contabilidade Geral, na unidade de São José dos Campos (SP), conveniada Conexão Desenvolvimento Empresarial. É também professor de Contabilidade Geral, Contabilidade de Custos, Contabilidade Avançada e Perícia Contábil junto à Faculdade Anhanguera de São José dos Campos. Mestre em Planejamento e Desenvolvimento Regional, pós-graduado (lato sensu) em Gestão Contábil e bacharel em Ciências Contábeis. Consultor empresarial. Autor dos livros Contabilidade imobiliária: abordagem sistêmica, gerencial e fiscal e Como interpretar as questões do exame do CFC, publicados pelo GEN | Atlas
Fonte: Gennegociosegestao.com.br/
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