quarta-feira, 12 de junho de 2019

Como a tecnologia pode tornar a auditoria mais eficiente e ágil

Análise de dados, robótica, drones: Francisco Sant'Anna, presidente do Ibracon, analisa como essas ferramentas podem afetar o trabalho dos auditores no futuro

Quando se fala em inovação, a área de contabilidade não costuma ser a primeira que vem à mente. O presidente do Instituto dos Auditores Independentes do Brasil (Ibracon), Francisco Sant'Anna, contudo, quer mostrar que é possível aplicar a tecnologia no setor. Segundo ele, a inovação pode trazer à auditoria mais eficiência e agilidade na elaboração de relatórios.

A aplicação disso, contudo, não é fácil, e depende especialmente da formação dos profissionais. “Os auditores precisam estar preparados para lidar com dados, análise, estatística”, diz Sant'Anna. A seguir, confira as tecnologias que podem ser – ou já estão sendo – aplicadas na auditoria das empresas.

Drones
Uma das aplicações da tecnologia na auditoria e contabilidade, segundo Sant'Anna, é na contagem de inventário. “As empresas fazem, uma vez por ano, a contagem de seus estoques, para avaliar se o que existe fisicamente bate com o que está registrado na contabilidade. Afinal, podem ter ocorrido perdas, desvios ou fraude. O drone pode ajudar com isso”, diz ele.

Atualmente, essa contagem envolve parar a produção por dois ou três dias e mobilizar uma equipe para fazer a contagem dos produtos acabados em estoque, em elaboração e da matéria-prima. Se há diferença entre a contagem e a contabilidade, é preciso então fazer os ajustes na contabilidade.

“Um drone em um pátio de carros de uma montadora, por exemplo, poderia contar o número de carros acabados e enviar essa informação para o sistema. Daí, o sistema já pode comparar com o que havia sido registrado e fazer o ajuste contábil”, afirma o presidente do Ibracon. “Uma tarefa que demorava de dois a três dias pode ser feita em alguns minutos,”

O mesmo poderia ser feito nos armazéns onde ficam guardados matérias-primas e produtos inacabados. O aparelho, nesse caso, poderia ler os códigos de barras nas caixas para fazer essa contagem. Segundo Sant’Anna, esse sistema reduziria os custos, daria mais agilidade ao processo e reduziria as possibilidades de erro na contagem. 

Big data
Hoje, o trabalho de auditoria envolve testar uma amostra de transações feitas por uma empresa. Com base no faturamento da companhia, o auditor determina o número de operações de vendas que devem ser avaliadas e escolhe de forma aleatória quais serão testadas. “É um teste adequado, previsto pelas normas, mas você pega os itens às cegas. Se encontra um desvio, amplia o teste”, diz Sant’Anna.

No entanto, esse sistema poderia ser mais eficiente usando ferramentas de big data. “Antes de fazer a seleção, o auditor pode trabalhar a massa de dados para selecionar as transações de forma mais direcionada, escolhendo as que tenham mais chances de apresentarem erros”, diz.

Ao auditar as demonstrações financeiras de um banco, por exemplo, o profissional poderia dividir as receitas por tipo: crédito rural, crédito para capital de giro, financiamento de carro, crédito imobiliário. “O auditor poderia apurar, de uma fonte independente, qual a taxa média do crédito rural, e calcular qual deveria ser a receita do banco nessa linha. Se a estimativa estiver parecida com o que mostra a contabilidade, há menos chance de erro ou fraude”, afirma o presidente do Ibracon. “Por outro lado, se em outra modalidade de crédito há uma distorção, isso pode indicar um erro ou fraude, e o auditor pode focar mais naquele estrato”.

Segundo Sant’Anna, há mais empresas testando as aplicações do big data à auditoria do que utilizando drones na contagem de inventário.

Robótica e confirmações bancárias
“Muito do trabalho de auditoria é repetitivo”, diz Sant’Anna. Para essas tarefas, seria possível criar sistemas automatizados. Um deles, por exemplo, é a conferência de saldos de crédito ou empréstimos das empresas junto aos bancos. “Tem companhia que tem conta em 15 bancos. O auditor precisava enviar cartas a cada um deles, e o banco tinha de responder qual era o saldo”, afirma.

Já há sistemas que automatizam essa troca de informações e permitem que os auditores acessem os dados fornecidos pelos bancos. “Com isso, você ganha tempo de correspondência, não tem extravio, faz essa checagem com muito mais objetividade, menos risco e mais eficiência”, diz Sant’Anna. Segundo ele, as grandes firmas de auditoria têm sistemas próprios, mas há empresas independentes que oferecem esse tipo de serviço. Exemplo disso é a norte-americana confirmation.com.

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